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As ironias da Carolina

As ironias da Carolina

A minha relação com as gorduras alimentares - Medo de ingerir?

 

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        Carol – a “miúda” esquisita e com o hábito de cheirar primeiro tudo o que come (mas não o faz em púbico porque saber que é estranho...) agora ADORA abacate.

       Para começar, um pequeno aparte – sou esquesita mas não desvalorizo nenhuma comida. Se há coisa que fico super triste é quando compro/como algo e nao gosto e tenho que desperdiçar, sério..fico super triste (talvez porque a minha profissão proporcionou-me um olhar diferente sobre a antogonia que existe entre quem tem muita comida tanto em quantidade variedade como qualidade vs. quem tem muita falta).

      O consumo de gorduras é um assunto delicado para muitas de nós, incluindo-me.

Consumir gorduras não engorda e deviamos dar muito mais atenção ao seu consumo (voltando a incluir-me). Visto que passamos a vida a controlar o que comemos, ainda olhamos para a quantidade de gordura que ingerimos como sendo um “valor a vermelho”. A maioria de nós NÃO faz um consumo adequado de gordura. A maior parte de nós que controla macros, não prioriza a gordura como factor essencial para a SAÚDE e aqui toco num ponto fundamental para mim – Quem faz “dieta flexível” diz que “no final do dia”, importa é se atingiste ou não os teus macronutrientes/calorias e que isso é o exponente máximo para atingirmos quaisquer que sejam os nossos objectivos físicos. Basicamente, todos os que seguem a dita “dieta flexível”, querem e tentam ser saudáveis mas também sabem que não é muito boa prática atingir as macros de gorduras com a gordura vinda das barras de proteína, da oreo ou da nutella (sim, toda a gente já sabe que consumiriam porção deste tipo de alimento diariamente não terá impacto na manutenção ou recomposição corporal) no entanto, esquecem-se de uma coisa: Não imaginam o impacto que os alimentos têm na nossa saúde, em especial a LONGO PRAZO (porque o que mais nos focamos é no "aqui e agora"). Para quem está a ler isto e pensa “mas eu faço low carb, high fat”, fazem-no apenas com um propósito físico, porque nunca ouvi alguém dizer que o faz para “controlar a diabetes, a tensão alta ou a falha na menstruação”.  

        Eu também tinha algum receio no consumo de gorduras, em especial por ser o macronutriente mais calórico e, por isso, facilmente atingido. Consumia gordura? sim! Mas não priorizava o seu consumo, coisa que muitos de nós fazemos. Depois, para além de não darmos a devida importância, ainda seguimos essa "regra" do 80-20% resultando em que da pouca gordura que consumimos, ainda vamos buscar a alimentos que consideramos “pouco saudáveis” (e mesmo quem diz que faz dieta flexível e não existem maus alimentos, no fundo, tem um X de alimentos que não considera “tão bons”, por alguma razão será e não é porque engorda...). Ora, mas que bem! Dizemos que somos flexíveis e muito felizes da vida a achar que somos saudáveis...

     Pensava o mesmo até começar a refletir-se na minha saúde como, por exemplo, ter repercursões a diversos níveis hormonais. E não foi algo que vi de uns meses para outros! Vamos sempre a tempo de deixarmo-nos de tretas, enfretarmos o que é real e lutarmos pelo MELHOR para a nossa SAÚDE. No meu caso, passou por rever o que eu considerava ser "flexível" porque, de certo modo, dá-nos um gozo dizermos que comemos de tudo quando queremos e QUANDO queremos e não nos regemos por "regras" nenhumas. Não é verdade? Parece que somos mais livres que os outros e muito mais despreocupados. Não é assim e eu não era assim tão livre e despreocupada.. e muito menos "mais feliz" por saber que podia comer de tudo. Mas bem.. Em termos de macronutrientes, passou por aumentar o meu consumo de gorduras! (por favor, revejam a vossa relação com a gordura!!)

        Portanto, TODOS devemos ser conscientes na importância de gorduras saudáveis (mono e poli-insaturadas) e que esta deve ser a maioria do valor total de gorduras que ingerem diariamente. Não me venham dizer que um pouco "disto ou daquilo" todos os dias não faz mal e que existe a regra de 80-20%. Essa regra não se aplica todos os dias. Essa regra aplica-se mesmo à nossa vida porque um “20%” todos os dias tem 100% de impacto na nossa saúde global e nem sempre é pela positiva e o “pior” NÃO acontece só aos outros nem aos mais “velhinhos” ou que fumam. Ser flexível não implica saúde (reforço que o termo saúde não se aplica apenas ao “agora”).

       A dieta flexível pode ser (e facilmente se torna) um distúrbio muito muito mascarado que tenta dar resposta “positiva” aos nossos medos anteriores. Porque razão ficamos todas felizes por lermos alguém a dizer que podemos comer X ou Y, que não temos de comer 3-3h, que mil-e-outros medos/mitos não estão correctos e que é possível atingirmos o físico desejado sem “sofrer”? Realmente, não tens de sofrer mas repara quem escreve, escreve RELATIVAMENTE a ser possível atingires o tal "corpo", porque no que toca à SAÚDE... Lamento mas há muita coisa que a dieta flexível SIMPLIFICA EM DEMASIA e de forma incorrecta e NÃO ADAPTADA ao que cada uma de nós precisamos! Os diferentes alimentos, com os diferentes nutrientes, utilizados em diferentes timmings têm efeitos DIFERENTES nas DIFERENTES PESSOAS. Como podem querer simplificar tanto?

                                                                             Resultado de imagem para emoji abacateResultado de imagem para emoji abacateResultado de imagem para emoji abacateResultado de imagem para emoji abacate

          Bem, retirando o “ar pesado” da conversa” e de volta à história engraçada do abacate..... Sempre lhe torci o nariz (na verdade, eu tenho mesmo o nariz torto ehehe) muito porque nunca o tinha cheirado (ou provado Resultado de imagem para emoji iphone) e sempre ouvi dizer que “é um gosto adquirido”, “é muito bom mas só quanto está no ponto, senão é horrível”, “num dia está verde e no outro já está demasiado maduro”e até “só o sabor da-me vómitos”. Juntando a tudo isto, o raio do abacate tinha que ser super caro (deve fazer mesmo bem, hein?), o que me mais me custa a dar dinheiro por algo que nem ia gostar (pensava eu). Uma vez que sei que o consumo de “boas” gorduras é ESSENCIAL para o correcto funcionamento do nosso organismo, não posso descurar a minha atenção para isto.

        Não tenho muita variedade no que toca às gorduras que como.. Não gosto de azeite; tenho dificuldade em fazer digestão todo o tipo de frutos secos e ninguém “vive” de um punhado de nozes ou 3 castanhas-do-pará; dizia que não gostava de abacate; obviamente que não como salmão todos os dias e já ingiro bastante ovos (costumo comer diariamente) mas se comer muitos acabo por ficar com flatulência devido à albumina presente nas claras (Dica: Quem se queixa de flatulência e passa “a vida” a ingerir boas quantidades de claras quer seja em omeletes, papas, panquecas... Pode ser um factor “agravante” – ser fit nem sempre é bonito) e, por último, não estou a considerar gorduras vindas de barras de chocolate, barras de proteína, bolachas, bolos e afins. Atenção: NÃO estou a críticar este tipo de alimentos.

       Ora, as minhas opções ficam um pouco reduzidas mas a necessidade de ingerir maior quantidade de gordura levou a que desse a oportunidade ao amigo abacate e lá fui eu ao supermercado.

       Passei pela secção da fruta/legumes e procurei o abacate.. Procurei ver alguém perto do abacate para ver se aprendia como se fazia – Como raio se escolhe isto? - Não vi ninguém perto dele e pensei que não era muito bom indicador... Se calhar, ninguém quer é fazer figuras a andar ali aos apalpanços à fruta mas lá fui eu. Comecei aos apalpanços e percebi que uns eram mais duros, outros tão moles que ficava o meu dedo quase que ficava marcado e outros com uma textura que me “agradava” na minha inexperiência. Agarrei, cheirei (desculpem mas no que se toca a fruta/legumes é permitido! Resultado de imagem para emoji iphoneImagem relacionada), fiz ali uma manobra de o atirar um pouco ao ar e decidi-me por dois abacates. Vamos a isto! Não o experimentei no próprio dia porque na minha “sabedoria inexperiente”, ainda não estavam “no ponto”.

  O dia “A”

        Ok.. Parece que está bom! Abri o dito cujo e juntei ao meu jantar. Pensei que para não me assustar na minha primeira aventura (e porque “precisava” de gostar de abacate para poder variar) seria melhor adicionar a alguma coisa. Associo o abacate a receitas “salgadas” mais do que a doce. Temperei como sempre ouvi dizer que ficava bem: sumo de limão, sal e pimenta (e com o meu toque de alho em pó, que adoro). OPA NÃO É QUE ADOREI? Imagem relacionada Desde então, quase todos os dias como abacate e frequentemente junto à minha marmita de almoço, tanto que já disseram “gostas muito de abacate!” – coisa que nunca pensei ouvir dizer.

Moral da história: Revejam a vossa relação com a gordura e.... experimentem abacate!