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As ironias da Carolina

As ironias da Carolina

Era uma vez um Natal...

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       Este não será um post sobre como sobreviver ao excessos da época nem será uma "pancadinha nas costas" de que tudo vai passar. Já li muito sobre isso e, no entanto, todos os anos é o mesmo. Concluo que não ajuda em nada!

    Sabem o que realmente ajuda? Serem mulherzinhas o suficientes para serem verdadeiras convosco. Algumas de nós já somos capazes de assumir os nossos medos - muito importante - mas assumirem e voltarem aos mesmos hábitos... Bem... Tudo na mesma. O que quero dizer com isto?

 

      É certo que é uma altura em que comemos mais e facilmente se torna numa época de excessos alimentares pelo que é frequente ler-se sobre o "voltar à rotina" ou ao "foco". 

      "10 dicas sobre como não engordar no Natal!", "As calorias que existem numa fatia de bolo-rei",  "Sabes o que vou ganhar no Natal? Peso!" ou "ideias para desintoxicar" - As próprias redes sociais fazem-nos acreditar que a época natalícia diz apenas respeito ao que vamos comer e lucram com as nossas fraquezas - com o quanto vamos engordar/disperdiçar o nosso esforço. Onde estão os posts sobre o quão bom é podermos passar tempo com quem gostamos, as mil-e-uma oportundiades que esta época nos oferece para convivermos com quem não o fazemos frequentemente ou para juntar uma cambada de amigos e rir muito? Onde estão os posts sobre a importância de refletirmos sobre o nosso ano? Se fizémos o que queriamos ou se deixámos que o comodismo nos vencesse? 

      Mas não... Mais um Natal em que parece que mais importa é sabermos quantas calorimos ingerimos, quantas gramas a mais teremos na balança. Se comemos é porque comemos e se não comemos é porque não comemos. Conclusão? A culpa não é da comida. E vossa. Da vossa mente. Vamos lá lutar contra esta forma de "self-hate".

       Os "macaquinhos"? Vamos ser coerentes.. Lutar contra os "macaquinhos" é fazer exactamente o que vos custa! É comerem normalmente como faziam. Quanto mais depressa voltarem à vossa "normalidade", mais depressa vão sentir-se normais, como se nada tivesse e percebiam o seguinte: não! não são 2-3 dias (ou uma semana mais relaxada) num ano mais que vai ter grande impacto no nosso corpo. Como podem vocês conseguirem realmente perceber o que estas palavras significam se não as praticam?

      Se consideram que ao fazerem refeições "low carb", "detox" e saladas/sopas, treinarem para queimar a rabanada e a irem constantemente à balança estão a lutar contra os vossos dramas então pergunto-vos: Isso não será simplesmente fazer o que sempre fizeram? Seja no Natal ou em outra época do ano qualquer? Então vamos lá a ser honestas connosco!    

     O ano passado passaram pelo mesmo - Os mesmos medos, o mesmo "sofrimento", a luta constante entre a cabeça, boca e espelho - e nos dias seguintes voltaram ao "foco" e à "rotina". Então este ano o que mudou? Vai haver sempre imensa comida ao nosso redor seja no natal, nas férias, em aniversários.. Enquanto formos abençoadas e privilegiadas em termos uma família e amigos que nos acolham e que tenham em prazer em que haja "abundância", estas situações vão sempre acontecer! SEJAM CONSCIENTES nas vossas escolhas alimentares! Permitam-se serem felizes e aproveitarem desta época mas não sejam exagerados. Estes momentos representam, no máximo, 20% do nosso ANO e se pensam nisto de "querer viver de forma saudável" (e esta denominação tem significados diferentes para cada um) como um modo de vida, então têm que conseguir VIVER.

      Viver implica que voltemos à nossa à rotina mesmo que seja difícil! A não ser que a vossa rotina seja estarem constantemente entre lutas e ódios convosco... É essa a vossa rotina? Se sim, então talvez seja altura de se colocarem em perspectiva.

      Também não vale de nada dizerem "eu sei que tens razão mas nem todas reagimos da mesma forma" porque não temos que o fazer! Não tomem isto como sendo um ataque, um julgamento, um "apontar de dedo" ou um texto de superioridade porque não falo sem conhecimento. Sei exactamente que luta é essa mas sabem o que eu também sei? Medos e dramas irão sempre existir mas a vida é tão mais importante que esta depressão-sobre-comida. Tão mais importante..! Se vocês acreditassem no quão capazes vocês são de agirem aqui, no "agora", daqui a um ano olham para trás e podem afirmar - Eu dei um passo para a minha Liberdade. 

      Oiçam isto: Vocês N-Ã-O são o vosso peso. Vocês N-Ã-O se definem pelo vosso físico. Vocês MERECEM MUITO MAIS do que lutarem contra vocês próprias.

      No final do dia, o que importa é sermos verdadeiras connosco. Acreditarem que o "amanhã" será melhor só porque sim, só porque amanhã é um novo dia... É só atirarem areia para os olhos... Mas é uma ideia bonita! 

     Portanto... Ainda bem que existem vários posts sobre "como sobreviver ao natal"! Existem todos os anos mas realmente ajudou-vos ou este foi apenas mais um Natal na mesma luta? Talvez seja porque o poder não está em tentar sobreviver mas sim realmente lidar com as situações. Conquistarem as vossas fraquezas mentais implica:

  1. Identificar os vossos medos - Sejam nuas e cruas. Sermos verdadeiros com o nosso Eu é o que mais custa. Por isso é que muitas de nós nos sentimos tão "atacadas/ofendidas" quando ouvimos a realidade que é dura.                                                  
  2. Tentar: Tentar significa isso mesmo.. Tentar uma e outra vez até que o façam de forma natural! Neste caso, tentarem voltar "às rotinas" implica mesmo que voltem às rotinas custe o que custar! Fazer "as coisas" mesmo que não seja cómodo e fácil porque não será nas primeiras vezes. E fazes uma, duas, quantas vezes forem precisas até deixar de ser tão incómodo ou difícil para ti. Só assim vais poder perceber o que daí advém.  Afinal de contas, é um medo que custa conquistar por alguma razão!                                                                            
  3. Conquistar: É poderes dizer que foste verdadeira contigo, que te meteste à prova uma e outra vez (mesmo que tenhas falhado umas quantas vezes) até que agora deixou de ter poder sobre ti. Não tens medo daquilo que conheces.. Pois não? 

 

    Estamos juntos na luta e é bom mostrarmos estas nossas fragilidades porque são as de muitas, o que surte numa onda de solidariedade e, afinal de contas, a solidariedade faz parte da época. Mas estamos juntas na verdadeira mudança interna (aquela que fará a diferença entre sobreviverem ou VIVEREM o próximo Natal) ou vão querer ficar no comodismo e, no fundo, voltam aos mesmo hábitos que sabem que vos tiram bocadinhos de felicidade? 

New year old me? Ah, not me!

 

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