Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

As ironias da Carolina

As ironias da Carolina

Guia prático para uma alimentação com sentido

                       Resultado de imagem para gif healthy food     

   O presente post foi feito com a colaboração do Hugo Amaro - Nutricionista estagiário

 

    Rótulos, ingredientes, quantidades, calorias... Como posso saberer se estou a realizar uma alimentação adequada?

   Com a crescente preocupação com a alimentação, temos tendência a tomar mais consciência das nossas escolhas. Contudo, uma vez que a informação disponível é tanta, torna-se difícil percebermos se estamos ou não no caminho certo, pelo que vos deixo um pequeno guia prático.

 

   O movimento "alimentação com sentido" nasceu da perspectiva como eu e do Hugo encaramos a nutrição. Nutrição é uma ciência, sem dúvida, mas mais do que saber interpretar a ciência, é necessário perceber como podemos adequar a CADA UM DE NÓS e é aí que reside a maioria da nossa dificuldade. Assim sendo, existem alguns "pontos-chave" que considero fundamentais para uma alimentação nutritiva e adequada aos teus objectivos de saúde e físicos.  

Resultado de imagem para avocado gif 

Quantidade (balanço energético)

  De forma muito simplificada, é o balanço calórico entre o que comemos e o que "gastamos" que determina o ganho/manutenção/perda de peso.

  Há quem utilize o método de contabilização de macronutrientes (método em que se pesa os alimentos) mas não é o único nem é extremamente necessário para atingir qualquer tipo de objectivo. Pode ser importante na medida que nos dá uma ideia do que são "porções". Outras formas de perceber se estamos a fazer um consumo quantitativo adequado será utilizar "porções visuais" às quais estamos habituados a consumir e guiármo-nos por aí.

 

Então, como posso saber se estou a consumir a mais ou a menos do que necessito? 

 

    Se o teu objectivo é o ganho de peso e não estás a conseguir fazê-lo, provavelmente não estás a consumir quantidades suficientes, logo, calorias suficientes. Aumenta o aporte através de alimentos nutritivos. Se, por outro lado, o objectivo é a perda de peso e não estás a conseguir fazê-lo, provavelmente estás a fazer um consumo calórico inadequado ou o teu gasto energético através de exercício não é suficiente.

  Não basta apenas comermos o que consideramos saudável, pois podemos consumir em demasiada ou, por outro lado, não fornecer o aporte calórico suficiente para mantermos/atingirmos um peso adequado e saudável. Contudo, as calorias ingeridas não devem ser o nosso único foco de atenção nem devem tomar conta da nossa mente.

 

Qualidade (organoléptica e nutricional)

   Todos os alimentos são detentores de propriedades nutritivas e organolépticas. E o que é isso?

  As características organolépticas dos alimentos dizem respeito à textura, cor, brilho, cheiro, sabor. São utilizadas para a avaliação do estado nutricional e de conservação dos alimentos.

  Um exemplo comum diz respeito à indústria alimentar (ex: os supermercados), em que são seleccionados os alimentos com as melhores características organolépticas para venda. Um alimento até pode estar com um aspecto menos apetecível e apelativo (por exemplo, a fruta mais madura), sendo descartado para venda mas, nutricionalmente, pode manter-se adequado. O estado de maturação com que os alimentos são colhidos e consumidos faz com que haja diferença no seu teor de vitaminas e minerais.     

 

Existem opiniões diferentes relativamente à origem dos alimentos - biológicos ou não? 

 

   Na minha opinião, parece-me adequado escolher alimentos que saibamos qual a sua origem, que sejam o menos processado possível e que apoia os pequenos comerciantes e agricultores. Ainda assim, acredito que não é necessária uma perspectiva extremista, uma vez que ser biológico não dita o quão saudável e completa a nossa alimentação é.

   Não considero que a comida comprada nos supermercado seja de qualidade inferior ou que esteja repleta de pesticidas e químicos, uma vez que até na agricultura biológica é permita a utilização de certos tipos de pesticidas, logo, é muito difícil sabemos realmente até que ponto é livre de químicos.

  É algo sobre o qual eu não penso ou foco-me em demasia, mas cada um é livre de fazer as suas escolhas e se o incentivo ao consumo de produtos biológicos tiver como consequência o maior consumo de produtos nutritivamente ricos, força! 

 

   O que considero importante? VARIAR! De facto, não há nada mais importante que um consumo variadíssimo, uma vez que a qualidade não está intimamente ligada com rótulos da sua origem. Para além disso, todos os alimentos têm potencial de contaminação ou de criar algum tipo de reacção portanto... Se podemos morrer de tudo, mais vale consumir de tudo em moderação.

 

Variedade (evitar carências nutricionais)

  É comum existir falha na variedade alimentar. Acabamos por variar entre 5-10 alimentos que consideramos saudáveis ou seguros e pouco variamos.

   Os ditos alimentos "menos saudáveis" (ou mais processados) são alimentos que podem e devem fazer parte da alimentação, porque também fornecem algum valor à nossa alimentação quando utilizados de forma inteligente - Comer é um acto hedónico e a alimentação deve dar-nos prazer. Não há necessidade de eliminar seja o que for!

  Devemos então apostar numa vasta diversidade para garantirmos que não existam carências nutricionais e para não criarmos medos face a algum tipo de alimentos, mantendo uma saúde psicológica alimentar.

 

Harmonia

   E quando até conseguimos acertar nos três pontos descritos acima... o que falha? A harmonia.

   O que é o adequado para nós. E aqui está incluido a querermos fazer o que a pessoa X ou Y faz, as modinhas da alimentação... E o que o marketing nos diz ser "saudável".

  Por vezes, é difícil aceitarmos que a harmonia para a nossa saúde física e mental passa exactamente por libertamo-nos dos tantos medos e mitos que vamos criando.

 O cliché mais verdadeiro: saber ouvir o nosso corpo.

 

Ter rotinas

   Sim, rotinas! É fundamental termos hábitos "chave" para o nosso bem-estar e sabermos mais ou menos o que funciona connosco - os alimentos que nos causam maior desconforto, os que mais gostamos e que nos dão prazer, se preferimos fazer menos ou mais refeições ou até mesmo ter alguma refeição que "não dispensamos".

   O problema das rotinas é quando não nos conseguimos desprender das mesmas. Rotina não deve ser uma obrigação mas serve sim para simplificar.

 

Aceitar as nossas falhas

   O último e muito importante: Temos tudo para ser feliz e saudável! Mas o que falta? Querermos ser perfeitas em tudo. O controlo excessivo.

   Estamos tão focadas em ser a nossa melhor versão que nos esquecemos de tudo o que há em nosso redor. Se não correu como esperaste, a única solução é aceitar e avançar! Ficar a remoer? Nada disso! Compensar? NÃO!

   Não pensar em demasiado porque a alimentação não é rotulada por um alimento, uma refeição ou uma semana diferente. Afinal de contas, Ser Saudável implica todos os aspectos da nossa vida, muito mais do que aquilo comemos.

 

 

CONCLUINDO

  É um processo difícil conseguirmos atingir um ponto equilibrado entre alimentação-corpo-mente. Muito provavelmente, teremos sempre alguma dificuldade em algum dos pontos acima descritos e isso é HUMANO!

   Para alguns, não trouxe nenhuma novidade mas acredito que o que precisamos não é de mais novidades mas sim de descomplicar. Então para que serviu tudo isto?

   Talvez enquanto estiveste a ler, levou-te a pensar e a reflectir sobre em que podes melhorar, nem que seja relativamente à importância da individualização e da não comparação com o Outro. Não precisas de perceber de nutrição, não tens de seguir nenhuma dieta específica, não tens de pesar comida, não tens que retirar nada, não tens que andar sempre com a marmita atrás ou evitar qualquer tipo de socialização.

    Tens apenas que estar em PAZ com os alimentos e, em especial, contigo. E se tiveres dúvida em como conseguires adequar algum dos pontos-chave, existem profissionais para te ajudar! Não coloques pressões sobre ti qe não valham a pena. Não tens que estar sozinha neste processo. Melhor do que termos o "plano nutricional perfeito" é sabermos que não temos de ser perfeitos.

Resultado de imagem para healthy food animated gif