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As ironias da Carolina

As ironias da Carolina

Aprende a dizer que "NÃO"

         

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            Enquanto pensava e escrevia, percebi a grande importância que a palavra “não” tinha e o quanto ela demonstrava. A ideia para este post surgiu de uma das dicas que escrevi no post anterior e eu só pensava no quanto tinha para dizer sobre isto. Quantas vezes dizes que não? “Não me apetece”, “não vou”, “não faço”, “não quero”, “não gosto”, “agora não”. Existem mil e uma formas de expressar o que queremos. Esta palavra não tem que ter sentido negativo ou pejorativo.

          Dizer que “não”, não é por mau feitio ou porque gostas contrariar. Dizer que não implica que estejas a demonstrar a tua perspetiva e a fazer valer aquilo em que acreditas. Muitas vezes a palavra “sim” faz muito pior do que um simples “não”. Fazer a vontade aos outros quando não queres ou quando não é aquilo em que acreditas é (mais do que) meio caminho andando para que não te respeitem. Aprende a dizer que não face a qualquer situação que te desrespeite, mesmo que venha de alguém que tu gostes. As pessoas apenas podem gostar de ti/respeitarem-te tanto quanto tu te respeitas.

        Tentar agradar aos outros, dizendo que "sim" ou fazendo as vontade – sendo “the good girl”, aquela que todas gostam e acham simpática – é muito dificil. É muito difícil manter esta faceta porque implica que muitas vezes não “possas” demonstrar a tua opinião de forma vincada porque há sempre quem discorde, logo há sempre possibilidade de criar confronto/conflito. Portanto, evitar sempre que haja conflitos, debates de opiniões e formas de ver, impede que haja crescimento, especialmente pessoal. Da mesma forma que há o evitamento do confronto, demonstra que há necessidade de receber validação dos outros. É esta a verdade. Fazes tudo para agrader os outros e se o consegues então é porque és muito mediana, estás ali no meio... Não achas? Sempre ouvi dizer que não se pode agradar a gregos nem a troianos. Por alguma razão é... E se consegues, é porque és o País Neutro, que pende para os dois lados mas é também o País que nada conquista. Se sentes que não te respeitam, que dizes muitas vezes que "sim" ou que fazes as vontades só para evitar conflitos, então demonstras e bem o quanto te dás valor. Há quem confunda com arrogância mas não é. É apenas saberes aquilo que queres e já não teres tanta tolerância para perderes tempo a justificares-TE com coisas/pessoas que não te ajudam a melhorar, que não te ajudam no teu Caminho-a-Percorrer.

        Falando com exemplos, dizer “Não me apetece treinar” não significa “que treta, detesto treinar, não estou a ver grandes mudanças e estou farta disto “. Pode simplesmente significar: Hoje não. Hoje estou cansada e quero fazer algo sem ser treinar. Dizer que “não” quanto te oferecem uma fatia de bolo num aniversário, não significa que não vás comer mais daqui a pouco ou que não comes porque não queres engordar. “Não gosto” também não significa que nunca iras gostar. Todas nós mudámos muitos dos nossos hábitos de vida e incorporámos coisas que antes não gostavamos.

      Algo muito importante mas também muito dificíl, é dizer que não às rotinas. Rotinas são rotinas e têm o seu papel importante mas pensem assim: Nós somos quem somos e estamos num determinado Ponto do nosso Percurso por alguma razão. Se não estamos contentes, só temos que pensar sobre os factores INTERNOS que nos impedem de avançar. Talvez sejam as rotinas porque é algo seguro para nós mas não nos leva a outros sítios senão aqueles que conhecemos. Se vais sempre pela direita quando encontras a bifurcação Y, porque desconheces o que a esquerda te pode trazer.. Então não podes querer descobrir outras coisas para além do que a Direita de traz. Seja de bom ou de mau! E se for algo de mau? Aprendeste uma coisa. Sobreviveste ao desconhecido.

       Traduzindo para exemplos quotidianos (do meu quotidiano): Houve uma altura em que tive que dar um passo fora da minha rotina. Deixei de seguir muitos instagrams (muitos deles são bastante conhecidos e vocês todas seguem), porque senti que não me trazia nada de novo. Nós somos o reflexo das pessoas com quem mais nos damos e nos influenciam - e o instagram, mesmo sendo relações virtuais, tem MUITO impacto em nós – e se estas pessoas não me traziam nada de novo que as suas rotinas e inseguranças (que sim, era muitas das minhas), então eu estarei sempre a conviver e a REVIVER as ineguranças e rotinas dos Outros. Inicialmente custou mas porquê? Porque estava a largar algo que, para mim, trazia-me segurança porque percebia que existiam mais no mesmo barco. No entanto, eu não quero esse barco. Eu quero o cruzeiro, logo tenho que trabalhar mais para isso.

       De que forma é que dizer podia ajudar a mim própria a dar um passo em frente? Dizendo que NÃO. Não preciso mais disso. Não preciso das rotinas e inseguranças dos outros. Não me vou contentar com o banal – mesmo que esse banal seja o mais seguido! Digo que SIM àquilo em que acredito, ainda que implique dizer que não aos Outros. 

        Pensa no “não” com outros olhos. Vê ao que é que podes dizer “não” na tua vida e pensa porque não o tens feito até agora. A mudança é interna, sim, e aquilo que tu sentes/pensas em relação a ti bem como o modo como os outros te vêem/tratam não vai mudar pela tua aparência física. E sim, muitas vezes vai implicar tomares decisões difíficeis retirares coisas/rotinas/pessoas da tua vida mas hey...o caminho faz-se caminhando!